Tânia: atriz, leal, questionadora, sincera, irônica, exigente, fácil, radical, sensível, dura, intensa, controladora, generosa, egoísta, protetora, desapegada, aberta, ermitã, sensata e aventureira. "Sou todas em Uma" BEM VINDOS!


28 de abr de 2013


FERIDAS DE AMOR SE CURAM?

Quando a gente é pequeno a cai da bicicleta, esfola joelhos e mãos e
claro que dói.
Mas aí alguém acode, canta uma musiquinha enquanto assopra passando
o mercúrio e passa.

Depois a gente cresce e um dia se apaixona
Muitos vão desejar (sinceras) felicidades e outros vão felicitar invejando.
Torcendo pelo "FIM".

E ele vai chegar.
E vai doer.
Seja como for, um amor o amor vai fazer sofrer.
De alguma maneira, inevitavelmente, o amor vai doer.
Então alguns vão lastimar sinceramente.
Outros irão vibrar sinceramente.
Mas isso não é o que importa.

E AGORA?
Como é que se cura?
O que é que se passa pra curar a dor do amor?
Quanto tempo leva pra curar a dor do amor?
Tem cura?
Quem me garante?
Alguém garante?
Ninguém?

ENTÃO...



A DOR DE SER ARTISTA

Uns dezoito anos atrás fiz um curso e apresentação de conclusão lá na
"Casa de Cultura", na Ramiro Barcelos.
Um lugar delicioso, lá se apresentou Vinícius de Moraes, te mete.
Foi lá que conheci o almejado CAMARIM...

Meu mestre foi Zé Adão Barbosa - que acabou virando amigo que amo – e fui convidada
para participar de uma peça como atriz profissional.
Que alegria imensa ver o Zé Adão ali na primeira fila me aplaudindo...
E que responsabilidade!
Nunca te agradeci, OBRIGADA ZÉ!Não sei se algum dia lerás estas linhas, mas
mesmo assim, meu maior: obrigada, foste tu que me viciaste!

Hoje trabalho neste ramo que como tantos outros é cheio de invejas e disputas.
Moro numa cidade que como tantas outras, fervilha de atores, todos disputando seu lugar
ao sol e dando a vida por uma matéria num jornal.
E como tem artista bom!
Todos mereciam brilhar e ter plateia cheia sempre e receber
os aplausos do público, pois afinal, é só isso o que queremos.

QUEM VAI AO TEATRO?
Professores só assistem as suas peças.
Os diretores só têm tempo de assistir as suas peças.
Os atores pouco vão prestigiar os que não são de “sua panelinha”.

Será desprezo por quem não é formado em Artes Cênicas?
Será que pensam que ir aplaudir alunos em outras peças é rebaixar-se?
Mas se os alunos cresceram é também por mérito de seus primeiros professores!
Então não entendo...

Ah, quando vem algum ator famoso do Rio ou de São Paulo, aí lota.
O povo deixa de achar "caro" por mais merreca que seja.
E tem peças locais - com atores gaúchos - MARAVILHOSAS bem mais baratas.
Alguém se pergunta o custo de uma peça?
Quanto vale alugar um teatro?
Montar um cenário? Sabia que ator paga contas?
Será que no dentista regateia preço?
Alguém pede desconto ou cortesia no supermercado?

Hoje dou aulas para pessoas com idades de 12 a 67 anos.
Iniciantes e alguns com experiência.
Nos olhos de cada aluno vejo o brilho da vontade, a tesão, o talento e o amor à arte. 
Em cada aula só penso em como dar a cada um a chance de brilhar no palco
quando apresentemos o trabalho de conclusão.

E prometo que onde estiverem, seja com que professor  for e torcendo para que
logo não tenham mais professor e sim diretor, eu estarei lá, aplaudindo vocês!

Porque para quem ama de verdade,
nada substitui a dor e a delícia de ser ator ou atriz...
VOCÊS VÃO BRILHAR; PALAVRA DE TÂNIA!

Nesta foto alguns de meus alunos amados, OBRIGADA!



AMOR ADIADO
Quando eu tinha uns seis anos, saindo de um teatrinho infantil, disse à minha mãe
que eu não queria estar “aqui” e sim “ali”, apontando para o palco.
Acho que ela nem entendeu o que eu quis dizer.

Aos doze ou treze anos, repeti minha vontade, desta vez sendo mais
clara: “quero ser atriz”.
Sua resposta foi: “filha minha só vai ser puta por cima do meu cadáver”.
Naquela época, atrizes ainda eram consideradas “um pouco prostitutas”; a carteira
de trabalho era igual.
E minha mãe era radical em suas opiniões, então tratei de criar outros sonhos.
Em minha família não tinha nenhum artista, nem professor de nada.
As mulheres foram criadas para casar...

Cresci, viajei muito, casei muito jovem, tive filhos muito cedo.
Morei em mais casas e cidades das que posso lembrar.
Não lembro do nome de professores porque muitas vezes, em dez meses,
começava o ano letivo num país e terminava em outro.
Não tenho amigos de infância, porque não dava tempo de fazer AMIGOS.
Esqueci muita coisa daquele tempo. 
Fiz um curso de secretária executiva e acabei arquivando o sonho de atuar.

Aos 44 anos, por convite de uma amiga, acabei indo fazer um “cursinho de teatro”.
Era só uma brincadeira porque o sonho estava meio esquecido também.
Fizemos uma peça, atuei mal pra caramba, mas me apaixonei pelo palco.
Foi amor no primeiro pisar naquelas tábuas.
Depois mais alguns cursos e a adrenalina e o amor só cresciam!

A vida me pregou algumas “peças” – que ironia da palavra! – e tive que parar
inúmeras vezes; o marido ficava doente, uma irmã precisando ajuda, enfim;
vida real chamando.
Quantas pessoas – algumas muito talentosas- não passarão pelo mesmo?
Que triste isso, seja para o sonho que for! “Adiar o sonho”.

Sou rotulada de inconstante por algumas pessoas que sabem pouco da minha vida.
Às vezes sou mesmo: eu mudo de rumo, altero meu destino, desisto do que não me
cativa por inteiro. Só sei fazer as coisas com paixão avassaladora.

Mas o sonho de ser atriz grudou na pele e disso eu não desisti.
Não sei se tenho talento, não sei se tenho vocação, mas amo profundamente minha profissão.
Fiz cursos sempre que pude e hoje estou integralmente dedicada à arte de atuar.

O teatro é um templo... Ali não entra pipoca, graças a Deus!
O palco é sagrado e nele sempre piso com o pé direito pedindo licença antes de
pisar nas tábuas.
Antes de entrar em cena o estômago embrulha e o coração vai explodir.
Juro que vai. E no final, explode. De alegria, êxtase e contentamento.
Pensando bem, acho que isso é FELICIDADE.

22 de abr de 2013




SURPREENDA-ME!
Certos dias que nos perguntamos coisas sem querer respostas.

Tomar um café ao sol e encantar-se com o papo de alguém que até então nem
sabíamos que existia e valer a colher parada na borda do pires e no
esquecimento da surpresa.
Tem palavra mais bonita que “surpresa”?

Por que pessoas confirmam presença se não pretendem ir?
Que bom quando descobrimos que aquela pessoa que esperávamos e não veio,
deixou de fazer falta...
Delícia descobrir que nem queremos mais o telefonema que era tão importante!

Para que jurar amor eterno se sabemos que eterno não existe?
E para que usar tanto “nunca”? E o “jamais”, então!
Como é bom descobrir que mudamos um pouco a cada dia, porque estagnado é
lago parado. E tem limo no fundo, eca...

Qual a justificativa de achar que quem discorda de mim está errado?
Qual o problema se não comer uma maçã por dia?
De vez em quando posso querer comer “errado” uma semana inteirinha,
por pura ansiedade.
E não acredito que alguém seja realmente apaixonado por alface.
A sensação de ansiedade tem que ter (sempre) explicação?

Quando bate aquela preguiça, prefiro combater com foco no trabalho.
Nem sempre; às vezes é melhor deitar, curtir e esperar que passe...
E sem culpa!
Ah, e a culpa?  Tem gente que adora uma culpa, eu já fui adepta da dita cuja.

Quero cometer mais erros, pois só assim posso quem sabe acertar.
Quero menos promessas e mais surpresas.
Menos certezas e mais ousadias.

E só assim, talvez, quem sabe, pode ser que me surpreenda.

Tânia Cavalheiro
22 abril 2013

Planos mudam.
Afetos murcham.
Projetos infalíveis já nascem falhados.
Corpos sofrem lei da gravidade.

Tudo isso é real e não me incomoda, apenas faz parte da vida.
Assim como aceitar sem culpas que saudade não diminui, mas que com
passar do tempo vai pesando menos.

Tão inevitável como alguém vai ficar chateadinho porque não compartilhei a
chatíssima mensagem dos anjinhos gordos e pelados.
Aliás; porquê anjo tem que estar sempre pelado e ser gordinho?

Novos afetos surgem, outros projetos entram em cena e faço novos planos,
o que não quer dizer que vá pô-los em prática.
E finalmente entendi que não tenho que me explicar pra ninguém.

Assim como aceito os chatos e filósofos de plantão, as críticas e os
eternamente mau humorados, dai-me paciência,
AMÉM.