Tânia: atriz, leal, questionadora, sincera, irônica, exigente, fácil, radical, sensível, dura, intensa, controladora, generosa, egoísta, protetora, desapegada, aberta, ermitã, sensata e aventureira. "Sou todas em Uma" BEM VINDOS!


28 de abr de 2013


AMOR ADIADO
Quando eu tinha uns seis anos, saindo de um teatrinho infantil, disse à minha mãe
que eu não queria estar “aqui” e sim “ali”, apontando para o palco.
Acho que ela nem entendeu o que eu quis dizer.

Aos doze ou treze anos, repeti minha vontade, desta vez sendo mais
clara: “quero ser atriz”.
Sua resposta foi: “filha minha só vai ser puta por cima do meu cadáver”.
Naquela época, atrizes ainda eram consideradas “um pouco prostitutas”; a carteira
de trabalho era igual.
E minha mãe era radical em suas opiniões, então tratei de criar outros sonhos.
Em minha família não tinha nenhum artista, nem professor de nada.
As mulheres foram criadas para casar...

Cresci, viajei muito, casei muito jovem, tive filhos muito cedo.
Morei em mais casas e cidades das que posso lembrar.
Não lembro do nome de professores porque muitas vezes, em dez meses,
começava o ano letivo num país e terminava em outro.
Não tenho amigos de infância, porque não dava tempo de fazer AMIGOS.
Esqueci muita coisa daquele tempo. 
Fiz um curso de secretária executiva e acabei arquivando o sonho de atuar.

Aos 44 anos, por convite de uma amiga, acabei indo fazer um “cursinho de teatro”.
Era só uma brincadeira porque o sonho estava meio esquecido também.
Fizemos uma peça, atuei mal pra caramba, mas me apaixonei pelo palco.
Foi amor no primeiro pisar naquelas tábuas.
Depois mais alguns cursos e a adrenalina e o amor só cresciam!

A vida me pregou algumas “peças” – que ironia da palavra! – e tive que parar
inúmeras vezes; o marido ficava doente, uma irmã precisando ajuda, enfim;
vida real chamando.
Quantas pessoas – algumas muito talentosas- não passarão pelo mesmo?
Que triste isso, seja para o sonho que for! “Adiar o sonho”.

Sou rotulada de inconstante por algumas pessoas que sabem pouco da minha vida.
Às vezes sou mesmo: eu mudo de rumo, altero meu destino, desisto do que não me
cativa por inteiro. Só sei fazer as coisas com paixão avassaladora.

Mas o sonho de ser atriz grudou na pele e disso eu não desisti.
Não sei se tenho talento, não sei se tenho vocação, mas amo profundamente minha profissão.
Fiz cursos sempre que pude e hoje estou integralmente dedicada à arte de atuar.

O teatro é um templo... Ali não entra pipoca, graças a Deus!
O palco é sagrado e nele sempre piso com o pé direito pedindo licença antes de
pisar nas tábuas.
Antes de entrar em cena o estômago embrulha e o coração vai explodir.
Juro que vai. E no final, explode. De alegria, êxtase e contentamento.
Pensando bem, acho que isso é FELICIDADE.

Um comentário:

  1. As inconstâncias da vida, pode ter certeza que não és a única, ainda me preocupo quando desânimo de algo porque sinto também que não deu liga, não deu paixão, me preocupo porque sei que vou ouvir um "de novo?" Sim, digo de novo, o que vou fazer se não é isso? Tenho que ser autêntica, senão não dá certo, fora isso tem a vida e suas realidades...bem assim...mas as metas estão ali, esperando o momento certo, isso é o que importa!

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