Tânia: atriz, leal, questionadora, sincera, irônica, exigente, fácil, radical, sensível, dura, intensa, controladora, generosa, egoísta, protetora, desapegada, aberta, ermitã, sensata e aventureira. "Sou todas em Uma" BEM VINDOS!


1 de jun de 2014

FIQUEI  ULTRAPASSADA?
Cheguei à casa de minha irmã e senti o aroma de pão caseiro que se espalhava quentinho...
E foi nesse momento que senti o baque do tempo do que se foi, do que éramos
e vivemos de bom.
Me acho uma mulher atual e quase moderna, pois sou aprisionada em alguns valores antigos, dos quais não faço a menor questão de me livrar.
E então descubro que o mundo mudou tanto que em certas coisas, que em algumas,
não tenho a menor vontade de “evoluir” com ele.

Descubro que as pessoas não fazem mais pão em casa, que pena...
Me pego cheia de saudade do tempo em que as famílias tomavam (todos juntos, nem
que fosse aos sábados) café da tarde, com pão de meio quilo e manteiga (manteiga!) sem se preocupar com o colesterol, o sal e as intolerâncias...

Descobri que tenho saudade do tempo que um homem ligava para uma mulher, a convidava para jantar e depois dançar.
Ele ia buscá-la em casa; pontualmente, que démodé sou! 
Cheguei a conhecer restaurante dançante, melhor ainda de tão ultrapassado!
O jantar - com vinho -transcorria à meia luz, com velas nas mesas e tal... 
Lá pelas tantas ele a convidava para dançar e dançavam mesmo, até passos de dança arriscavam... Na pista outros casais também dançavam e também namoravam romântica
e discretamente. Tudo era mais conquistado, havia mais jogo de sedução de ambas as partes!
Hoje se corre o risco de que toquem funk. Daí acabou a festa, né?

Descobri que tenho saudade de morar numa casa com pátio, com direito à árvore de amora pra se colher subindo nos galhos e sujar a roupa e levar bronca da mãe, e no
outro dia fazer tudo de novo.
Deu saudade do galinheiro e do cheiro de terra preta molhada quando chovia, que delícia... No quintal tinha lugar pra brincar de esconde-esconde, de pegar e pra jogar bolinha de gude!

CARTAS! Descobri que faz muito tempo que não mandamos cartas.
Descobri que ríamos de qualquer bobagem, porque éramos muito menos críticos que agora. Hoje passamos tanto tempo trabalhando, correndo atrás da grana e buscando
ser felizes (JÁ!) e interagindo nas redes sociais, que não temos mais tempo para
visitar, para cultivar amizades íntimas.
Falta tempo para cultivar grandes amigos e afinal precisamos respeitar a privacidade uns dos outros!
Não cabe na cabeça de ninguém ir visitar sem agendar bem antes...
São tantos compromissos!

Na minha família ainda preservamos o hábito de almoçar todos juntos aos domingos.
É sagrado, sabe? Família barulhenta, que come bem, não interessa qual o cardápio.
O que importa é que estamos reunidos, rindo, conversando, nos interrompendo, torcendo de verdade uns pelos outros e cada um contando como foi sua semana.
Se alguém fica doente a ponto de ir pro hospital, lá vai todo mundo, como as garças que não se separam nunca.
Os médicos levam mais a sério quando veem um bando de gente junta olhando sérios para eles, qual bando da máfia! Chega a ser muito engraçado, rsrsrs
É isso que faz família ser tão BOMBOM!


Um comentário:

  1. Adorei o texto, total a tua cara !!! A minha identificação com ele foi arrebatadora e apaixonante!

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